A mentira, a mentira perfeita, acerca das pessoas que
conhecemos,
sobre as relações que com elas tivemos,
sobre o nosso móbil em determinada acção formulado por nós
de uma forma completamente diferente,
a mentira acerca do que somos,
acerca do que amamos,
acerca do que sentimos pela criatura que nos ama
e que julga ter-nos tornado semelhante a ela porque passa o
dia a beijar-nos,
essa mentira é das únicas coisas no mundo que nos pode abrir
perspectivas
sobre algo de novo,
de desconhecido, que pode abrir em nós sentidos adormecidos
para a contemplação do universo que nunca teríamos
conhecido.
Marcel Proust






