sexta-feira, 26 de junho de 2015

Deixa o vale e parte

Deixa o vale e parte para as montanhas...
Chegou a hora sim... de partir !
esse partir... fez-me lembrar loiça... não sei porquê!
Partir a loiça é boa ideia, partem-se também os momentos em que a usámos. 
Agora tenho de ir ao Ikea ?

Comprar canecos novos !

Smell the ocean

Vou, porque ficar mais velha no calendário merece um aroma a sal.

HHoje

terça-feira, 23 de junho de 2015

Vou comprar tabaco e já volto!

Já não se pode fumar em nenhum lado.
O desamor é bem mais devastador,
e no entanto não é proibido



Pedro Paixão

domingo, 21 de junho de 2015

Asas escondidas

Ela perguntou-lhe a cor dos seus pés.
Ele respondeu silenciosamente que eram da cor da pedra.
Ela percebeu e sorriu.
Ela gostava de andar descalça, de esfolar os pés, de os gastar,
gostava de tocar o chão rugoso com as suas palmas
e de sentir o caminho de uma outra forma, muito avessa.
Ela gostava de pés que se podiam usar, vestir e calçar,
disse-lhe depois de o seu silêncio terminar.
Ele respingou que os seus pés sabiam a mar e podiam ser bebidos como água fresca.
Que os seus pés tinham asas escondidas e segredos doridos.
Ela apaixonou-se...


Agripina Roxo

A brisa do Solstício

Olha para mim e não te admires
Não esperes que procure caminho.
.
Não quero caminho.

Quero vento e brisa que me leve
Porque perde-te foi o melhor que me aconteceu.

Nem a lua nem o solstício me prendem.
Sou uma Flor brava e feliz.

HHoje 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Semáforo imperfeito


Dizes que sofro de aborrecimento.

Intermitências do ser,
Insultos que ecoam distantes
mas coerentes.
Cabeça vazia é oficina do diabo, disseste,
Faz sentido a denúncia,
Incertezas em demasia, digo.
Em que recanto de mim me fortaleço?
Nos insultos que me trespassam a alma.
E vivo!


HHoje 2015

sábado, 13 de junho de 2015

Aqueles que têm nome

Aqueles que têm nome e nos telefonam
um dia emagrecem - partem
deixam-nos dobrados ao abandono
no interior duma dor inútil muda e voraz
arquivámos o amor no abismo do tempo
e para lá da pele negra do desgosto
pressentimos vivo
o passageiro ardente das areias - o viajante
que irradia um cheiro a violetas nocturnas
acendemos então uma labareda nos dedos
acordamos trémulos confusos - a mão queimada
junto ao coração
e mais nada se move na centrifugação
dos segundos - tudo nos falta
nem a vida nem o que dela resta nos consola
e a ausência fulgura na aurora das manhãs
e com o rosto ainda sujo de sono ouvimos
o rumor do corpo a encher-se de mágoa
assim guardamos as nuvens breves os gestos
os invernos o repouso a sonolência
o vento
arrastando para longe as imagens difusas
daqueles que amámos mas não voltaram
a telefonar

Al Berto