Estou como tu dizias aqui há tempos:
"Caiu-me a alma a uma latrina, preciso de um banho por dentro!"
Ega murmurou melancolicamente:
- Essa necessidade de banhos morais está-se tornando com efeito tão frequente!... Devia haver na cidade um estabelecimento para eles.
Eça de Queirós, in "Os Maias".
Fotografia, Rodney Smith.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Ai que prazer cumprir um dever.
Évora, ontem foi dia de uma nova etapa na vida da minha filha.
Muitos dias se seguirão e espero que siga o seu sonho.
domingo, 13 de setembro de 2015
Beautiful Disaster
Não
sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história.
Gosto
do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase
impossível.
Meu
coração é livre, mesmo amando tanto.
Tenho
um ritmo que me complica.
Uma
vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme.
Quer
um bom desafio? Experimente gostar de mim.
Não
sou fácil. Não colecciono inimigos.
Quase
nunca estou para ninguém. Mudo de humor conforme a lua.
Tenho
o desassossego dentro da mala.
E
um par de asas que nunca deixo.
Às
vezes, quando é tarde da noite, eu viajo.
E
procuro respostas.
Ontem,
eu perdi um sonho. E acordei a chorar.
Bonita
mesmo é a vida: um dia, quando menos se espera, se supera.
E
chega mais perto de ser quem na verdade é.
Fernanda
Mello
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Prometo que vou ser normal
Uma criança com Síndrome de Asperger, em luto. O imenso mundo interno desta criança é como um pano de fundo para toda a história, onde se cruzam as suas características específicas e os sintomas deste luto. Este filme consegue trazer a realidade da perda, vista na perspectiva de uma criança.
"O que nunca ninguém diz, porventura com medo de parecer vaidoso, é que a inteligência tem um preço: a solidão" (Nuno Lobo Antunes).
Extremely Loud and Incredibly Close - 2011
"O que nunca ninguém diz, porventura com medo de parecer vaidoso, é que a inteligência tem um preço: a solidão" (Nuno Lobo Antunes).
Extremely Loud and Incredibly Close - 2011
sábado, 5 de setembro de 2015
Uma tristeza parada na tonalidade do silêncio
Fica comigo. Daqui a nada é noite e as noites custam, a mim
custam, sobretudo quando os candeeiros da rua se acendem e as árvores e os
prédios fronteiros logo diferentes, quase ninguém na rua, um miúdo com um cão
lá ao fundo, uma tristeza parada na tonalidade do silêncio, estes móveis e
estes retratos que não me ligam nenhuma, os teus passos na escada, tu no
passeio: nem vou à janela olhar, não quero olhar.
Fica comigo só mais um
bocadinho, dez minutos, meia hora, sei lá, o tempo inteiro. Mesmo que não
fales. Mesmo que leias a revista do jornal.
Mesmo que não me toques. Mesmo como
se eu não existisse.
Há alturas, imagina, em que penso que não existo e depois
vem a aflição, o medo, o meu pulso tão rápido, a voz da minha mãe, do fundo da
infância.
António Lobo Antunes
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Poema aos homens constipados
Pachos na testa, terço na mão
uma botija, chá de limão
zaragatoas, vinho com mel
três aspirinas, creme na pele
grito de medo, chamo a mulher
ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer
mede-me a febre, olha-me a goela
cala os miúdos, fecha a janela
não quero canja, nem a salada
ai Lurdes, Lurdes, não vales nada
se tu sonhasses, como me sinto
já vejo a morte, nunca te minto
já vejo o inferno, chamas diabos
anjos estranhos, cornos e rabos
vejo os demónios, nas suas danças
tigres sem listras, bodes de tranças
choros de coruja, risos de grilo
ai Lurdes, Lurdes, que foi aquilo!
Não é a chuva, no meu postigo
ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
não é o vento, a cirandar
nem são as vozes, que vêm do mar
não é o pingo de uma torneira
põe-me a santinha, à cabeceira
compõe-me a colcha, fala ao prior
pousa o jesus, no cobertor
chama o doutor, passa a chamada
ai Lurdes, Lurdes, nem dás por nada
faz-me tisanas, e pão-de-ló
não te levantes, que fico só
aqui sozinho a apodrecer
ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
zaragatoas, vinho com mel
três aspirinas, creme na pele
grito de medo, chamo a mulher
ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer
mede-me a febre, olha-me a goela
cala os miúdos, fecha a janela
não quero canja, nem a salada
ai Lurdes, Lurdes, não vales nada
se tu sonhasses, como me sinto
já vejo a morte, nunca te minto
já vejo o inferno, chamas diabos
anjos estranhos, cornos e rabos
vejo os demónios, nas suas danças
tigres sem listras, bodes de tranças
choros de coruja, risos de grilo
ai Lurdes, Lurdes, que foi aquilo!
Não é a chuva, no meu postigo
ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
não é o vento, a cirandar
nem são as vozes, que vêm do mar
não é o pingo de uma torneira
põe-me a santinha, à cabeceira
compõe-me a colcha, fala ao prior
pousa o jesus, no cobertor
chama o doutor, passa a chamada
ai Lurdes, Lurdes, nem dás por nada
faz-me tisanas, e pão-de-ló
não te levantes, que fico só
aqui sozinho a apodrecer
ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
António Lobo Antunes
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