quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

19,39 pm, Inverno

No Inverno,
quando mais rareia a esperança.
São certas fixações da consciência,
coisas que andam pela casa à procura de um lugar
e entram clandestinas no poema.
São os envelopes da companhia da água,
a faca suja de manteiga na toalha,
esse trilho que deixamos atrás de nós
e se decifra sem esforço nem proveito.
É a espera e a demora.
São as ruas sossegadas à hora do telejornal
e os talheres da vizinhança a retinir.
É a deriva nocturna da memória:
é o medo de termos perdido sem querer
a nossa vez.

Rui Pires Cabral

9 comentários:

  1. Deve ser por tudo isso, que não gosto do Inverno...

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  2. Este inverno pode acontecer, e acontece, em qualquer estação do ano.
    É preciso arranjar estratégias para contrariar o peso dos dias pequenos e frios por fora.
    Beijo, SD.

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    1. Dias pequenos, noites tamanhas!
      Beijo Isabel e bom fim de semana.:))

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  3. O tempo tristonho e a noite entranham-se cá dentro...

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